Paz, Justiça e Verdade
O Papa Leão XIV, no seu primeiro encontro com os Diplomatas acreditados junto da Santa Sé, destacou a importância da Paz, da Justiça e da Verdade como pilares da Diplomacia do Vaticano mas também da ação da Igreja. São três valores e pilares, que devem ser guias para a sua ação ao serviço da Humanidade, mas são valores e interpelações também para cada um de nós na nossa vida diária.
Desenvolvendo cada um destes pilares, o Papa defendeu que a paz não é apenas a ausência de guerra, mas sim “um dom que deve ser cultivado no coração, através da eliminação do orgulho, da prática do diálogo e do combate à violência, inclusive verbal, pois também com as palavras se pode ferir e matar, não só com as armas”.
Em relação à Justiça sublinhou que “a busca da Paz exige a prática da Justiça”. Recordou que “escolhi o meu nome pensando principalmente como Leão XIII, o Papa da primeira grande encíclica Social , a Rerum Novarum . E aqui deixou o compromisso da Igreja para estes tempos desafiantes e conturbados que estamos a viver “ A Santa Sé não pode deixar de fazer ouvir a sua voz perante os numerosos desequilíbrios e injustiças que conduzem a condições indignas de trabalho, a sociedades cada vez mais fragmentadas e conflituosas”. Reforçou a importância da justiça social, que deve defender a dignidade de cada pessoa, especialmente dos mais vulneráveis, como imigrantes, crianças, idosos, doentes e desempregados.
Sobre a Verdade o Papa destacou que é essencial para a construção de relações autênticas e duradouras, mesmo no âmbito internacional. Referiu que “ a Verdade permite-nos enfrentar com maior vigor os desafios do nosso tempo, como as migrações, o uso ético da inteligência artificial e a preservação da nossa querida terra “
E deixou um apelo e um pedido aos Embaixadores mas também a cada um de nós, ao sublinhar que “são desafios que exigem o empenho e a cooperação de todos, pois ninguém pode pensar enfrenta-los sozinho”
Num mundo marcado pelas guerras, pela violência, por mudanças climáticas, desigualdades crescentes, migrações forçadas e conflituosas, pobreza estigmatizada, inovações tecnológicas disruptivas e por injustiças várias, as palavras do Papa são certamente as bases de um guia de atuação sobre a Doutrina Social da Igreja e a missão desta no mundo. É um programa e uma missão que radica na missão da Igreja ao serviço da sociedade e que conta com cada um de nós (cristãos ou não), com o nosso contributo e a nossa ação diária alicerçada nestes princípios: a paz deve nascer no coração, a justiça deve defender a dignidade de cada pessoa e a verdade é essencial para as relações autênticas.
Neste ano em que vivemos o Jubileu da Esperança, o Santo Padre espera que se viva um tempo de conversão e de renovação e, sobretudo, que o Jubileu seja uma oportunidade para deixar para trás os conflitos e iniciar um novo caminho, “animado pela esperança de se poder construir, trabalhando juntos, cada um segundo as suas sensibilidades e responsabilidades, um mundo em que todos possam realizar a sua humanidade na verdade, na justiça e na paz”.
A experiência pastoral do Papa eleito (de missionário ao serviço de um povo pobre) e as palavras que nos tem dirigido desde a sua eleição, fazem-nos estar certos de que o seu pontificado será marcado pelo forte empenho nas causas da Justiça e da Paz, à luz do Evangelho e da doutrina social da Igreja.
No seu discurso, Leão XIV apelou a uma abertura sincera ao diálogo e ao desarmamento global, reconhecendo a importância da diplomacia multilateral na promoção da paz. Ele também expressou o desejo de que este ano jubilar seja um tempo de conversão e esperança, especialmente para as regiões marcadas pela guerra, como a Ucrânia e a Terra Santa.
Luís Rocha
Comissão Diocesana Justiça e Paz






