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MISSA DO XXIV DOMINGO COMUM CSZCZECIN – POLÓNIA – 2022.09.11 Caríssimos irmãos e irmãs! Felicito-vos pela edificação deste Santuário dos Pastorinhos de Fátima. Como disse o Papa São João Paulo II no dia da sua beatificação, a 13 de maio de 2000, Francisco e Jacinta Marto são “duas candeias que Deus acendeu para iluminar a humanidade nas suas horas sombrias e inquietas”. Ao longo de mais de um século, estas duas crianças, dois santos, proclamaram com a sua vida, a sua fé e o seu amor a Deus, que todas as horas sombrias e inquietas da história da humanidade vêm levantar-se a luz da esperança. Conduzidos pela mão da Virgem Maria, mantiveram-se sempre naquela luz de Deus, que ilumina e transforma todas as nossas dores e extravios, pois é a luz de Jesus Ressuscitado. Na escola do Coração Imaculado de Maria, repleto do amor de Deus, aprenderam a amar todas as pessoas, especialmente as que estão perdidas nos caminhos da fé e da esperança, os pecadores. O vosso santuário erigido em honra dos Pastorinhos de Fátima tem a vocação de ser uma alta torre de luz no meio desta grande nação católica, a Polónia. Obrigado pela vossa devoção à Virgem de Fátima e aos seus filhos prediletos, São Francisco e Santa Jacinta Marto. Obrigado, também, pelo convite que me fizestes para vir de Portugal, até aqui como mensageiro de Fátima, missão que me dá muita alegria. Com Maria e com os Pastorinhos queremos todos, vós e eu, caminhar na luz de Deus, que salva o nosso mundo sombrio e inquieto; queremos, vós e eu, ser também pequeninos pontos de luz, a refletir a luz de Deus, que alimenta as esperanças das nossas nações e povos. Ao ler o livro do Êxodo tomamos consciência da misericórdia infinita de Deus, que se comove com o seu povo e tem compaixão de todos os seus filhos, apesar de reconhecer que é um povo com tendência para se afastar d’Ele e cavar a sua própria ruína. O Povo de Deus corrompeu-se com a idolatria e nós continuamos a desviar-nos do bom caminho que deseja para nós, cedendo às malhas do pecado, construindo a nossa vida fora da esfera do seu amor. Moisés e os profetas são chamados a descer ao meio da humanidade para lhe recordar e fazer ver como Deus está próximo e sofre com as sombras que povoam as suas vidas. Fomos criados para viver na luz, mas somos seduzidos pelas trevas do erro e do pecado, que nos destrói e nos mata. Os profetas antecipam o momento decisivo em que Deus desce junto de nós por meio de Jesus, o Filho. Ele assume todas as nossas iniquidades e carrega com as nossas dores e pecados para nos libertar definitivamente de tudo o que nos escraviza por dentro ou nas situações humanas e sociais, que nos degradam na nossa condição de filhos e de Povo. Paulo, na Primeira Epístola a Timóteo, sente-se também um enviado de Deus para proclamar a sua misericórdia para com todos. Acredita no Deus que o liberta e salva por meio de Jesus Cristo, Aquele que o surpreende como luz e palavra na sua estrada de Damasco. Dispõe-se, a partir da fé, a ser ele mesmo um raio de luz que ilumina a vida de muitos e que seduz os pagãos no seguimento de Jesus, a Luz do Mundo. Podemos entender a missão da Virgem Maria como continuação desta missão profética e apostólica: ela está presente na Igreja e desce como mensageira do amor de Deus nos momentos mais críticos da história dos desvios e da corrupção da humanidade. Como Mãe, renova na Igreja a certeza da atenção e do cuidado contínuos de Deus pelos seus filhos; aceita participar da missão dos apóstolos, da missão da Igreja, de apontar para o Deus que sofre e se comove com as nossas perdas, a ponto de porem em causa a esperança da nossa vida. À luz da fé, e como a Igreja o tem repetidamente afirmado, as aparições de Nossa Senhora de Fátima inserem-se no âmbito dessa missão profética entregue à Igreja. Como escreveu o Papa Bento XVI, a 13 de maio de 2010, \"iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída\". Depois de uma guerra, vieram outras guerras; depois de uma onda de ateísmo, eclodiram nova vagas de negação de Deus; depois das idolatrias proclamadas com voz forte, chegaram as idolatrias que tomaram conta da vida de muitas pessoas; depois do pecado reconhecido, veio a era do pecado tolerado e acolhido como algo normal ou na indiferença da vida quotidiana. A mensagem profética do Evangelho continua atual e a dimensão profética da mensagem de Fátima, que está ao seu serviço, não está, de facto concluída, pois há muitas sombras a precisarem da claridade da luz de Deus. O Evangelho segundo São Lucas apresentava-nos as três parábolas da misericórdia, o cerne do anúncio da Boa Nova de Jesus. Este é o anúncio que pode transformar a vida de qualquer pessoa e de qualquer povo: Deus é amor, Deus é misericórdia. Quem tem a graça de reconhecer a força deste anúncio, inicia um caminho de conversão, que muda radicalmente a sua pessoa. A ovelha perdida, a moeda perdida e o filho perdido, constituem da forma mais dura, a experiência humana que, pode abrir os olhos e os ouvidos para o processo da conversão a Deus, que é misericórdia. Iluminada pela fé e com a força de amor do Espírito Santo, cada pessoa perdida nas suas idolatrias, é candidata a ouvir a voz do profeta, a reconhecer a sua debilidade e o seu pecado, a acolher a graça da conversão. Levantar-se, pôr-se a caminho, regressar à casa do pai, corresponde ao desejo maior de Deus; é motivo de alegria para Deus, porque alegra o coração daquele que regressa e se converte. Não é por acaso que, as palavras mais significativas da mensagem de Fátima, lida em todas as suas fases e na sua globalidade, são: pecado, conversão, graça e misericórdia. A guerra fazia compreender aos pastorinhos as consequências do pecado; a conversão é o centro do início da proclamação da Boa Nova de Jesus e o apelo contínuo ao pecador para que ponha a caminho; a graça é a intervenção misteriosa de Deus que não deixa o pecador entregue a si mesmo; e a misericórdia é o dom maior oferecido por Cristo na cruz, pelo qual nos reconcilia com Deus. Este percurso proclamado pelo Evangelho é reproposto em Fátima pelo Coração Imaculado de Maria, que sofre com o pecado dos seus filhos e ao ver nos caminhos da perdição aqueles que lhe foram entregues por Jesus no alto da cruz, para que, como Mãe de Misericórdia, cuide deles. Irmãos e irmãs! Convido-vos a acolher com fé e amor os apelos da Mãe de Deus nas aparições de Fátima. Ela quer conduzir-nos à conversão a Cristo. Por meio dos sacrifícios oferecidos em ato de reparação do Coração Imaculado de Maria, por meio da oração meditada do Rosário e por meio da caridade para com os pobres pecadores, encontraremos os caminhos da paz do coração, da paz nas famílias e da paz entre os povos. Seguindo o exemplo dos Pastorinhos de Fátima, que mergulharam na luz intensa de Deus, queremos abraçar a cruz de Cristo, que ilumina todas as sombras e inquietações da Igreja e do Mundo, a cruz que é o sinal da ressurreição para a vida eterna. Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra
MISSA DA MEMÓRIA DOS SANTOS FRANCISCO E JACINTA MARTOSZCZECIN – POLÓNIA – 2022.09.10 Caríssimos meninos e meninas! Venho de Fátima, onde nasci e toda a minha vida tem sido passada em contato com aquele lugar abençoado por Deus, na devoção à Virgem Maria que lá apareceu aos três Pastorinhos: Lúcia, Francisco e Jacinta. Comecei a ir aos lugares das aparições quando tinha cinco ou seis anos. Íamos a pé, em peregrinação, com os pais, com o pároco e com a professora da escola primária. Sou, por isso, uma pessoa que cresceu a conhecer Deus e Nossa Senhora a partir do conhecimento das aparições de Fátima. Quando era criança, falavam-nos de Deus a partir de Nossa Senhora e dos Pastorinhos, pois eles é que nos diziam como Ele é bom, por meio das histórias que nos contavam. Quero, hoje, contar-vos a história da minha infância, quando ia aos lugares das aparições de Nossa Senhora e como isso me fazia crescer na fé e no amor a Deus. Gostava de estar ali silencioso no monte a contemplar as árvores, as pedras, o céu, e a imaginar ali o Anjo da Paz, Nossa Senhora, os Pastorinhos com o coração a arder no amor de Deus. O lugar mais bonito e inspirador para mim era o lugar da aparição do Anjo, a Loca do Cabeço, porque não tinha construções, era a natureza em estado selvagem, apenas com as figuras brancas da escultura do Anjo e dos Pastorinhos. Aquele lugar fazia pensar na oração que o Anjo ensinou: “Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos; peço-vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não vos amam”. E, depois, a outra oração, que não entendia bem, mas que me falava do mistério de Deus: “Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-vos profundamente”. De joelhos, com o rosto por terra como eles, adorávamos e rezávamos aquela oração, na fé em Deus Santíssima Trindade. Naquele lugar, compreendia o que o Francisco dissera por meio das “Memórias da Irmã Lúcia”: “Nós estávamos a arder naquela luz que é Deus e não nos queimávamos”. Continuávamos depois a caminho da Cova da Iria, do Santuário de Fátima, onde nos espantava a grandeza da Basílica e amplitude do Recinto. Do lugar grande e largo confluíamos para a Capelinha das Aparições que, então era uma pequenina capela com um telhado mais largo por cima e uma varanda com um altar. A imagem branca de Nossa Senhora comovia-nos. Representava a Senhora mais brilhante que o sol, que tinha dito palavras tão bonitas aos Pastorinhos: “Não tenham medo... sou do Céu... Sim, tu também vais para o Céu... rezai, rezai muito e sacrificai-vos pela conversão dos pecadores”. Ao sairmos daquela Capelinha e depois de fixarmos o olhar na imagem de Nossa Senhora, branca e bela, com o terço na mão, com um rosto cheio de bondade, parecia que saímos dum sonho e no caminho para casa, também a pé, não tínhamos a mesma vontade e brincar, porque muitos pensamentos nos tornavam mais silenciosos. Não sabíamos o que era a guerra, mas imaginávamos que era uma coisa terrível: homens a matar muitas pessoas com as suas armas e a fazer sofrer outras com o medo que causavam; pensávamos no horror dos pecados cometido por tantos, que conduzem à perdição e ao inferno; pensávamos que é preciso rezar muito e sacrificar-se para que a guerra acabe e os pecadores se convertam a Deus e se salvem. Dava-nos uma imensa consolação e felicidade repetir baixinho pelo caminho as palavras de Nossa Senhora: “não tenhas medo; não desanimes; a graça de Deus será o vosso conforto; eu nunca te deixarei; o Meu Coração Imaculado será o teu refúgio...” Ao chegar a casa, contávamos o que tinha acontecido e grande paz vinha ao coração só por recordar tanta coisa bonita que continuava presente no coração. Dormíamos muito bem naquela noite, por causa do cansaço, sem dúvida, mas sobretudo por causa da confiança sem limites que tínhamos em Nossa Senhora e nas suas palavras consoladoras. Apesar das mensagens terríveis que também ouvíamos acerca dos males que existem no mundo e até depois da história da visão do inferno, desapareciam os medos, porque acreditávamos que Nossa Senhora, a nossa Mãe do Céu, com um coração tão bom e tão puro, nos havia de guardar e que Jesus nos havia de perdoar e livrar do fogo do inferno, como sempre lhe pedíamos no Rosário. Ao longo da vida penso muitas vezes como Nossa Senhora levou os Pastorinhos a sentirem o amor de Deus por eles. Penso que é o mesmo amor que tem por vocês e por mim, mas, de modo especial, por todas as crianças do mundo. Na aparição do mês de agosto, Nossa senhora abriu as mãos e comunicou aos Pastorinhos uma luz intensa que lhes penetrou no peito e no mais íntimo da alma e viram-se dentro dessa luz, que era Deus. Caindo de joelhos, rezavam: “Meu Deus, meu Deus, eu vos amo no Santíssimo Sacramento”. Quando Nossa Senhora lhes mostrou que Deus gostava deles, que os amava, brotou neles um amor muito intenso pelo mesmo Deus, a ponto de repetirem muitas vezes: “meu, Deus, meu Deus, eu vos amo”. Aquelas crianças recordam-nos o texto do Evangelho segundo São Mateus, que ouvimos. Jesus, mais uma vez, colocou as crianças no meio de toda a multidão e disse: quem for humilde como as crianças será o maior no Reino dos Céus. Sabem porquê? Porque elas veem o rosto do Pai que está nos Céus, porque elas amam a Deus. Gostaria de vos pedir uma coisa neste dia: sede como a criança que Jesus colocou no meio da multidão; sede como os Santos Francisco e Jacinta Marto, as duas candeias que Deus acendeu no meio da escuridão do mundo. Nossa Senhora de Fátima diz-vos, hoje: Filhos, amai a Deus, vivei como cristãos! Com humildade e com fé, repeti muitas vezes a oração dos Pastorinhos: “Meu Deus, meu Deus, eu vos amo!” Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra
XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM CSANTO AGOSTINHO, PADROEIRO DA DIOCESE DE COIMBRAIGREJA DE SANTA CRUZ DE COIMBRA  Caríssimos irmãos e irmãs! Conta Santo Agostinho no seu livro autobiográfico, “Confissões”, que a sua mãe, Santa Mónica, que rezara pela sua conversão a vida inteira, desejava apenas uma coisa no fim dos seus dias, como diz, textualmente: “ver-te cristão católico, antes de eu morrer”. E continua reproduzindo as palavras da sua mãe: “Deus concedeu-me esta graça de modo superabundante, pois vejo que já desprezas a felicidade terrena para servires o Senhor”. Por detrás destas palavras está a vida de um filho, que passa pela dura prova da procura da verdade, dos desvios existenciais e morais, das ânsias pelo encontro do sentido da sua vida e do encontro com Deus, a suma bondade e beleza sempre antiga e sempre nova. Por detrás estas palavras está também a vida dos pais, das famílias, que procuram ver crescer os seus filhos em harmonia e felizes, o que nem sempre acontece. Esta é a realidade que continua sempre presente no percurso de cada pessoa e, especialmente, de cada jovem, que cresce para a vida no meio de alegrias e esperanças, mas também perturbações e fracassos. Somos ainda assim nos dias de hoje: sedentos do Deus vivo, andamos errantes à procura daquilo que pode preencher os nossos corações inquietos; desejosos de conhecer a verdade, buscamo-la ora de formas certas, ora no meio de tentações e desvios provenientes da nossa condição humana; andamos à procura de sentido para o que somos e fazemos a partir da nossa identidade de pessoas e criaturas, mas procurando frequentemente ocupar o lugar de Deus e do Criador; estamos àvidos da felicidade eterna, mas lançando as âncoras às seguranças passageiras e falsas que se nos apresentam como definitivas e duradouras. Santo Agostinho teve a graça de passar da arrogância das suas seguranças humanas para se encontrar nos braços de Deus e aderir às seguranças divinas; com a ajuda de Deus e as preces da sua mãe, deu o passo no sentido da humildade, que o levou à sinceridade do conhecimento fundado na sabedoria do coração e do ouvido atento à voz interior, que falou mais alto, como referia o texto de Ben-Sirá, proclamado na Primeira Leitura de hoje. Feito um longo percurso interior, ele compreendeu que “o poder do Senhor é grande” e que somente “os humildes cantam a sua glória”, reconheceu os seus erros da vida passada e abriu-se aos caminhos novos da renovação interior, que chegam sempre pela via da conversão ao Deus verdadeiro. Sublinhamos neste dia o papel insubstituível da graça de Deus derramada nos nossos corações e o lugar sempre necessário da humildade pessoal aliada ao auxílio das testemunhas da fé, concretamente ao auxílio da família cristã, pela força da sua oração e da sua caridade, os sinais maiores do amor divino. O dom de Deus está na origem da fé de cada um de nós. Precisamos de o reconhecer com toda a humildade de que somos capazes e para a qual somos ajudados pelo Espírito Santo. Vencer as nossas resistências interiores da mente e do coração, apoiados pela graça, é sempre possível, uma vez que o amor de Deus é maior do que as nossas capacidades. Não acontece sem que reconheçamos as nossas culpas, sem que confessemos os nossos pecados - ação que nos esvazia da nossa arrogância para ter lugar em nós Aquele que se aniquilou ao ponto de se fazer Homem e dar por nós a sua vida. As testemunhas da fé acolhida e vivida têm um lugar imprescindível, porque somos pessoas com os outros, nenhum de nós é uma ilha fechada e somos vulneráveis ao que se vive de mau na sociedade, mas também somos edificados pelo que de bom partilham connosco os que se cruzam connosco no percurso que fazemos. A família cristã, alicerçada na fé e ativa na comunidade humana e cristã, é, normalmente, o testemunho que mais importância tem no processo de nascer e desenvolver a resposta a Deus, no acolhimento de Jesus Cristo, na inserção na Igreja e na transformação pessoal. A oração constitui o meio de que dispomos para crescer na fé, uma vez que nos confronta diariamente com as nossas realidades e com o amor de Deus espelhado na grandeza da Criação. Sem a oração humilde, sincera e confiante, para e morre o percurso de fé tantas vezes iniciado na infância, que sofre fortes crises na adolescência e na juventude, para depois continuar mais forte ou acabar por se desfazer como fumo na vida adulta. A caridade da família tem muitas vertentes, que vão da proteção da vida ao acompanhamento fiel de cada um dos seus membros. Passa pela criação das condições materiais e humanas, inclui os projetos culturais e a transmissão dos valores sociais. Para uma família cristã tem de passar também pela comunicação do testemunho da fé, pelo cultivo da espiritualidade cristã, pelos muitos sinais de amor a Deus como Pai e à sua Igreja como Mãe que anima, consola e propõe caminhos de verdade e de vida aos seus filhos. Uma família pode e deve fazer muito pelos seus membros e a oração constitui o melhor de tudo, pois alia o testemunho humano à gratidão e à súplica pelo seu bem integral. Santa Mónica fez o que de melhor podia pelo seu filho: orou para que abandonasse os critérios do mundo e se centrasse em Cristo e no seu Evangelho, que torna feliz e que salva. Santo Agostinho, com a humildade própria de um buscador de Deus e da verdade, acolheu a caridade da sua mãe, foi sensível à sua oração feita em lágrimas, usou as suas muitas capacidades intelectuais e todos os dons que recebeu para se encontrar com Cristo e fazer d’Ele a sua sabedoria de vida. Agradecemos neste dia o convite que recebemos para participar no grande banquete da sabedoria e da vida, onde Cristo se oferece no Pão, no Vinho, na Palavra, na comunidade dos que creem e se dispõem a partilhar o dom que receberam. Agradecemos neste dia por todos os que trabalham na Igreja em favor da transmissão da fé, proporcionando auxílios intelectuais, leitura dos sinais dos tempos, tempos fortes de leitura da Escritura, de adoração ao Deus Vivo, de celebração na Assembleia Santa e de testemunho alegre e corajosos de fé. Pedimos pelos jovens em busca de felicidade e pelas famílias que rezam e lhes dão testemunho do amor de Deus, em ato de humildade e caridade pelos que procuram a beleza sempre antiga e sempre nova, por vezes tão tardiamente encontrada. Coimbra, 28 de agosto de 2022Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra      
DIOCESE DE COIMBRANOMEAÇÕES PARA O ANO DE 2022-2023 - P. António Manuel Andrek Hombo (Diocese de Benguela) – vigário paroquial de Anceriz, Arganil, Barril do Alva, Benfeita, Celavisa, Cepos, Cerdeira, Coja, Folques, Moura da Serra, Piódão, Pomares, Pombeiro da Beira, São Martinho da Cortiça, Sarzedo, Secarias, Teixeira e Vila Cova do Alva. Coimbra, 18 de agosto de 2022 Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra
ORDENAÇÃO DE PRESBÍTERO E DIÁCONOS NA DIOCESE DE COIMBRAXVI DOMINGO COMUM C – 2022 Caríssimos irmãos e irmãs! O dia das ordenações de diáconos e presbíteros é o dia da esperança da nossa Igreja Diocesana de Coimbra. Obrigado a Deus que nos dá os ministros de que carecemos e obrigado ao António José Sebastião, ao Vítor Pauseiro e ao Rui Brito por acolherem este imenso dom de Deus e por dizerem o seu “sim” confiante que alegra o Povo de Deus. Neste dia compreendemos melhor a ação do Espírito Santo que move os corações dos homens para a fé e vemos com os nossos próprios olhos a força renovadora do amor de Jesus, que chama como há dois mil anos e diz: “vem e segue-Me”. Este é um momento privilegiado para repetirmos todos em agradecimento pela vocação cristã a que procuramos corresponder com humildade, com temor e tremor, mas cheios de confiança na infinita bondade de Deus: eu Vos louvo, Senhor; eu Vos dou graças. É também um momento privilegiado para renovarmos o nosso compromisso de fidelidade a Deus e à Igreja, como leigos, consagrados ou ministros ordenados e repetirmos com toda a alma: aqui estou, porque me chamastes; fazei de mim um instrumento do Vosso amor e da Vossa paz. Na Epístola aos Colossenses, São Paulo manifestava a sua alegria por ter sido chamado a participar dos sofrimentos de Cristo em benefício do Seu corpo, que é a Igreja. Manifestava a sua alegria por se ter tornado ministro do Evangelho poder anunciar em plenitude a Palavra de Deus, a riqueza e a glória do grande mistério, que é Cristo no meio de nós, a nossa esperança. Deste modo, Paulo sublinha as dimensões fundamentais do ministério, que hoje, aqui celebramos e que é concedido a três irmãos nossos por meio da ordem dos diáconos e dos presbíteros. Acolher e anunciar a Palavra de Deus constitui a grande graça do ministério. Pelo acolhimento da Palavra chega a fé ao coração de cada um de nós e realiza-se o mistério do nosso encontro com Deus. Pelo anúncio da mesma Palavra abrem-se aos outros a quem nos dirigimos as portas da fé e da salvação. Paulo, apóstolo do Evangelho, ajuda-nos a valorizar esse encontro que teve lugar na sua vida e a viver a paixão pela Evangelização. Ele dirige-se especialmente ao mundo dos pagãos, a todos os que andavam errantes à procura de uma oportunidade, mesmo sem o saberem ou dando-lhe até muitos outros nomes. A sua paixão incontida, já nascida no judaísmo em que cresceu e desenvolvida plenamente no encontro com Cristo Ressuscitado na estrada de Damasco, levaram-no a agradecer mesmo os sofrimentos suportados no exercício da sua vocação e a querer completar na sua própria carne o que ainda faltava à paixão de Cristo. O diácono e o presbítero, o cristão, todo aquele que foi tocado no coração pela Palavra da Salvação, que é chamado a proclamar aos fiéis, só pode viver a sua vocação como um apaixonado pela Boa Nova, que o cura e o salva a si mesmo e que propõe com amor àqueles a quem a anuncia. O diácono e o presbítero são homens apaixonados pela evangelização também nos tempos modernos. O mundo cristão precisa de Evangelho para continuar o percurso de conversão em que foi iniciado, e o mundo pagão precisa do primeiro anúncio, que faça brilhar a nova luz sobre a sua vida. A única riqueza e glória de quem recebeu o dom do ministério é Cristo no meio de nós. Se quisermos resumir o que é a fé cristã, a sua mensagem e o seu significado, temos uma palavra: Cristo. Não um Cristo distante, nem um Cristo com um discurso incompreensível ou um Cristo que seja uma ideia ou um conjunto de leis e preceitos, mas o único Cristo, Filho de Deus, irmão e amigo dos homens, o Cristo que habita em nós e é o Cristo no meio de nós. Esta presença pessoal e única de Cristo que partilha a nossa vida, as nossas vitórias e as nossas derrotas, as nossas alegrias e as nossas doenças, que tudo suporta connosco e por nós, que entra na nossa própria carne e na carne de toda a humanidade, constitui a realidade que faz nascer e que alimenta a nossa fé. Quando a presença de Cristo é relevante para a vida de uma pessoa, ela deixa-se comover interiormente, adere de coração e sente-se feliz por conhecê-l’O, pois experimenta n’Ele o amor que transforma totalmente a sua vida. O cristão e, por vocação e missão, o ministro ordenado, é uma testemunha privilegiada deste Cristo, da sua presença e da sua ação no meio da humanidade. Não tem outra riqueza para anunciar nem outra glória para cantar que não seja Cristo no meio de nós. O anúncio da Palavra de Cristo abre cada um que O encontra à esperança maior, que é a esperança de Deus. Todas as pessoas têm inscrita em si a sede de mais e melhor, a sede de futuro feliz, que é muito mais do que o seu próprio otimismo ou a sua capacidade de superação das limitações impostas pela sua humanidade. No fundo, todos temos a sede do infinito e desejamos que nos leve para além do tempo e da superação das nossas debilidades e pecados. Trata-se da sede de Deus vivida no meio das nossas doenças, dores, faltas de amor e marcas de perdição. Não nos basta uma esperança passageira e exterior fruto de algumas consolações episódicas, mas aspiramos a uma esperança maior, à esperança de Deus que nos motiva e nos recria. Foi essa esperança que Paulo encontrou em Cristo, tal como todos os homens e mulheres que se cruzaram com Ele num determinado momento da sua vida em que estavam à beira do abismo. É essa esperança que Jesus dá a cada pessoa que se encontra com Ele, quando surge uma oportunidade inesperada, que sente ser criadora e recriadora do seu futuro, caminho para a glória. A missão do ministro ordenado consiste também em facilitar a cada pessoa este encontro com Cristo, que é a esperança da glória. Nessa altura, até nos sofrimentos pode haver a alegria mais profunda e até na paixão humana pode completar-se a paixão de Cristo. Tudo tem outro sentido e é vivido com outra motivação. Como cristãos, diáconos ou presbíteros, somos homens que incarnam já neste tempo e nesta comunidade em caminho, a esperança da glória alcançada por Cristo. Aqui reside o lugar mais sensível e mais transformador da missão cristã porque toca a relação transformadora de Cristo com cada pessoa que O encontra. Quando alguém vislumbra que Cristo lhe dá a esperança da glória eterna, o encontro dá-se, a comunidade eclesial é relevante para si, o caminho de fé torna-se uma realidade que apaixona e seduz. Como evangelizadores conduzidos pelo Espírito Santo que trabalha no coração de cada pessoa, temos a missão de suscitar esse desejo e esse encontro que dá vida. Irmãos e irmãs, toda a pastoral tem esta fonte, este método e esta finalidade: anunciar a Palavra de Deus, que é Cristo no meio de nós e nos dá a esperança da glória. Fica-nos sempre a grande interrogação acerca de como realizar esta missão, com que métodos e meios há de cada um de nós, o diácono ou o presbítero, a Igreja de Deus, realizar a ação pastoral. Ilumina-nos o texto do Evangelho de São Lucas que escutámos, o encontro de Jesus com Marta e Maria. O pano de fundo deste texto é, de facto, o encontro de Jesus com duas pessoas, duas mulheres, que representam duas dimensões confluentes: uma, a escuta da Palavra de Jesus, outra, a ação concreta e material voltada para o bom acolhimento e para o serviço aos irmãos. Jesus não nega a importância de uma nem de outra, mas estabelece uma ordem de prioridades e mostra como o ativismo sem encontro com Ele e sem o dinamismo da Sua Palavra se torna passageiro e desprovido da Sua força transformadora. Tantas vezes criticamos o ativismo dos cristãos e dos ministros ordenados, não porque se negue o valor do trabalho que cansa ou das muitas realizações que se propõem. Sempre o Evangelho nos apontou para a missão que inclui entrega, desassossego, sacrifício da própria vida que se gasta e se dá. O perigo está no ativismo sem vida interior, no trabalho pastoral sem sentido sobrenatural, nas ações que cansam sem que estejam repletas de Palavra de Deus, sem Cristo presente e sem a esperança que Deus dá. Somos felizes quando, no encontro com Cristo, escolhemos a melhor parte, que não nos será tirada; realizamos a nossa missão quando passamos no caminho de muitos outros e favorecemos o seu encontro com o mesmo Cristo, a palavra Viva, que dá a esperança que não lhes será tirada. Coimbra, 17 de julho de 2022Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra