COP 30 - É tempo de agir: um compromisso com a Casa Comum

Decorre nesta altura a COP30, conferência mundial sobre as alterações climáticas, também conhecida por Cimeira do Clima, promovida pela ONU e realizada na cidade brasileira de Belém do Pará, no coração da Amazónia, sob o lema — “É tempo de agir” — que deve ser interpretado como um apelo direto à consciência global.

É a trigésima vez que lideres mundiais e seus representantes (este ano 180 países) se encontram para definir e aprovar medidas e iniciativas para o futuro do nosso planeta. Mas o que acontece infelizmente é que se fica pelos “compromissos no papel” que depois não se concretizam, como é exemplo o acordo de Paris em que 197 países assumiram um conjunto de ações para limitar o aquecimento global a 1,5 % , e que está longe de ser cumprido, pois as emissões globais continuam a subir e as atuais políticas, segundo um relatório da ONU, colocam-nos numa trajetória de aquecimento de cerca de 2,3 °C a 2,5 °C até ao final do século, o que terá consequências irreparáveis

A continuar assim, o Mundo que vamos deixar aos nossos filhos e netos é um lugar bem pior do que aquele que recebemos dos nossos pais.

O objetivo de todos nesta COP - governantes, cientistas e ambientalistas- é o mesmo: tirar do papel e concretizar propostas já existentes e as que surgirem no encontro. Mas o cenário não é, à partida o ideal – desde logo porque não estão presentes os 3 maiores países poluidores – EUA , China e India, depois porque o contexto de conflitos militares e económicos em curso, as tensas divisões entre países sobre estas matérias, a par com o negacionismo de alguns importantes lideres mundiais (com Trump à cabeça) aumentam as dificuldades de concretizar medidas eficazes.

Mas todos acreditamos que a Conferência é importante, tem bons objetivos e expetativas, como as de acelerar a transição energética, ampliar o financiamento climático e preservar a todo o custo as florestas tropicais, continuando a ser o maior Fórum para manter as questões do clima no topo da Agenda Mundial.

É tempo de agir. São alguns os sinais de esperança e muitos os gritos de ação pelo clima, vindos da ciência, das organizações, da sociedade civil e também da Igreja.

A Santa Sé defende que a COP30 deve ser um “ponto de viragem” que manifeste uma “vontade política clara e tangível” para a transição ecológica.

O Papa apelou à pressão dos cidadãos sobre os decisores políticos, para que assumam o combate às alterações climáticas como uma prioridade, alertando para o impacto da crise ambiental sobre as populações mais desprotegidas. “Espero que as próximas cimeiras internacionais das Nações Unidas – a Conferência sobre as Alterações Climáticas de 2025 (COP 30)… escutem o grito da Terra e o grito dos pobres, das famílias, dos povos indígenas, dos migrantes forçados e dos crentes em todo o mundo” Leão XIV evocou o 10.º aniversário da ‘Laudato Si’, do Papa Francisco, sublinhando que “não há espaço para indiferença ou resignação”.

Esta é uma causa de todos. “É tempo de agir” não é apenas um slogan, mas uma convocatória urgente à responsabilidade. O futuro da Terra não se decide apenas nas mesas de negociação, mas no dia a dia de cada um de nós

A COP 30 será um marco se conseguir inspirar ações concretas e compromissos reais. Será verdadeiramente transformadora se, em cada um de nós, em cada casa, escola, empresa ou comunidade, nascer um novo modo de viver, mais simples, mais solidário e mais sustentável.
Porque cuidar da Terra é cuidar de nós mesmos.
E o tempo de o fazermos é agora.

O Futuro só é possível respeitando esta Terra que é a nossa Casa Comum, e isso, vale a pena recordar, é essencial para assegurar a justiça e a paz no mundo. 

 

Luís Rocha – Comissão Diocesana Justiça e Paz

 

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