Dar férias ao coração / O meu coração vai de férias

Dar férias ao coração / O meu coração vai de férias

 

Chegou o tempo de férias. Mas temos mesmo tempo? Um tempo justo, ajustado ao que mais preciso e que me permite crescer em paz? Temos tempo ajustado aos nossos ritmos, que esperamos que nos pacifique?

A pergunta surgiu-me no início deste verão — um verão marcado por um calor extremo, inesperado, que nos inquieta e do qual procuramos proteção. Mas não me refiro apenas às canículas ou às alterações climáticas que se agravam a cada ano. Falo também de outro calor: o dos conflitos, das guerras, da barbárie que continua a atingir tantos povos. E, mais perto de nós, da agitação interna que muitas vezes levamos para as férias, cheias de expetativas e frustrações por esse tempo "premium" que nem sempre nos devolve o que ansiamos.

Vou fazer publicidade. Descarada e convicta. Porque já estive lá, porque quero voltar, e porque acredito que mais pessoas deviam descobrir este tesouro ainda tão discreto. Falo dos mosteiros e abadias espalhados pela Europa — espaços belíssimos, simples e acolhedores, onde os forasteiros são recebidos como se fossem o próprio Cristo.

Estes lugares extraordinários, onde o silêncio e a beleza se encontram, oferecem algo raro: um acolhimento que nos transforma, que nos faz melhores. Em França, são muitos e ativos todo o ano, especialmente no verão. Em Portugal, destaco dois: o Mosteiro Trapista de Santa Maria, Mãe da Igreja, em Palaçoulo — o primeiro mosteiro trapista português — e o Mosteiro Nossa Senhora do Rosário, das Monjas de Belém, no Couço. Dois refúgios de serenidade, onde se respira paz e interioridade.

Vale a pena preparar a mochila e partir. Porque precisamos de um tempo com paz — que se sinta dentro e fora — e de um tempo com justiça, ou seja, ajustado ao que cada um anseia e verdadeiramente necessita.

Como escreve o Papa Francisco na recente Carta Encíclica Dilexit nos (Amou-nos): “Movemo-nos preocupados só com o agora e dominados pelos ritmos e ruídos da tecnologia, sem muita paciência para os processos que a interioridade exige. [...] Só o coração é capaz de unificar e harmonizar a própria história pessoal.”

Tocar esse coração, ouvi-lo, deixá-lo falar... exige tempo longo e tranquilo. E é precisamente isso que o Papa sublinha: precisamos de um tempo não apressado, vivido com qualidade e paciência, onde se cultiva o silêncio interior e a escuta da presença de Deus.

Este tempo dado ao coração não é um luxo. É uma urgência. E talvez as férias sejam o momento ideal para o reencontrar.



Madalena Abreu

CDJP



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