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A Teologia do Corpo é uma
longa catequese dada
pelo Papa João Paulo II
nas audiências de
quarta-feira entre 1979 e 1984 sobre a sexualidade, o amor humano e a família.
Esse aspecto histórico é importante, pois ao longo deste
tempo ocorreram dois acontecimentos de grande relevância. O primeiro foi o
Sínodo dos Bispos de 1980, que cuidou da missão da família cristã; o segundo foi
a Exortação Apostólica Familiaris
consortio, publicada em 1981 como fruto daquele Sínodo.
Nessa Exortação, publicada, pois, na época em que era
proferida a presente catequese, o Papa sugere "uma autêntica e profunda
espiritualidade conjugal e familiar,
que se inspire nos motivos da criação, da aliança, da cruz, da ressurreição e do
sinal" (Familiaris consortio,
56c).
Nesta indicação do Santo Padre podemos encontrar luzes para
construir uma espiritualidade que responda aos desafios enfrentados pela família
às portas do Terceiro Milénio cristão. E essas luzes parecem brilhar com mais
intensidade na presente catequese, na qual João Paulo II desenvolveu e
aprofundou, justamente, os temas propostos, sobre uma base personalística.
São 127 catequeses, divididas em quatro partes:
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a primeira, com 85 catequeses, trata do tema da Redenção
do corpo;
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a segunda, com 27 catequeses, trata da
Sacramentalidade do matrimónio;
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na terceira, em 14 catequeses, o Papa responde a algumas
questões hodiernas;
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depois, numa importante síntese conclusiva, o Papa termina o
longo ciclo explicando alguns conceitos de modo a que o texto integral seja
bem compreendido.
A primeira parte, é dividida em três
capítulos, que se dedicam à análise de três textos-chaves do Evangelho. Temos,
antes de tudo, o texto em que
Cristo no colóquio com os fariseus se refere "ao princípio" sobre a unidade e
indissolubilidade do matrimónio (cf. Mt.19,8; Mc.10,6-9). Prosseguindo, temos as
palavras pronunciadas por Cristo no Sermão da Montanha sobre a "concupiscência"
como "adultério cometido no coração" (cf. Mt.5,28). Por fim, temos as palavras
transmitidas por todos os sinópticos, em que Cristo faz referência à
ressurreição dos corpos no "outro mundo" (cf. Mt.22,30; Mc.12,25; Lc.20,35).
Vê-se, pois, que nesta primeira parte, foram desenvolvidos os temas da
criação e da
ressurreição, todos sob a luz da
redenção operada por Cristo na cruz.
A segunda parte, dedica-se à análise do
sacramento com base na Epístola aos Efésios (Ef.5,22-33). As reflexões são
conduzidas na consideração das duas dimensões essenciais deste sacramento, isto
é, a dimensão de aliança e a
dimensão de sinal. O Papa, com
esses dois capítulos, completa o desenvolvimento dos temas por ele mesmo
sugeridos para se construir uma autêntica e profunda espiritualidade conjugal e
familiar. Embora esta catequese sobre O
amor humano no plano divino não esgote completamente os temas
sugeridos, não se pode deixar de considerá-la como valioso material de estudo e
de formação.
A essas reflexões, o Papa junta na terceira parte
uma catequese sobre a Encíclica
Humanae vitae, respondendo, com base personalística e bíblica, às
interrogações do homem de hoje. Segundo o Papa, a doutrina desta Encíclica se
mantém em relação orgânica quer com a sacramentalidade do matrimónio, quer com
toda a problemática bíblica da teologia do corpo, centralizada nas
palavras-chaves de Cristo. Em certo sentido, dirá o Papa "pode-se até dizer que
todas as reflexões que tratam da 'redenção do corpo e da sacramentalidade do
matrimónio', parecem constituir um amplo comentário à doutrina contida
precisamente na Encíclica Humanae vitae"
(O amor humano no plano divino, 127, 2).
Esperamos que este material, tão rico e profundo, possa ser
útil a todos os que dele fizerem uso.
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