João Paulo II constatou, ao
receber este sábado 150 participantes do Fórum das Associações
Familiares da Itália,
que cada vez são mais fortes os ataques legislativos e
ideológicos contra o matrimónio e a família.
O pontífice alentou ao mesmo tempo esta forma de mobilização a
favor da vida e da família que, na Itália, reúne 36 organismos
e 20 comités regionais, em representação de milhões de
famílias.
«Infelizmente os ataques ao matrimónio e à família se fazem
cada dia mais fortes e radicais, tanto do ponto de vista
ideológico como normativo», constatou o Santo Padre, que
recordou: «quem destrói este tecido fundamental da convivência
humana provoca uma ferida profunda na sociedade e danos com
frequência irreparáveis».
«O intento de reduzir a família a uma experiência privada,
socialmente irrelevante; de confundir os direitos individuais
com os próprios do núcleo familiar constituído sobre o vínculo
do matrimónio; de equiparar as convivências às uniões
matrimoniais; de aceitar, e em alguns casos favorecer, a
supressão de vidas humanas inocentes com o aborto voluntário;
de alterar os processos naturais da procriação dos filhos
introduzindo formas artificiais de fecundação são só alguns
dos âmbitos nos quais é evidente a subversão que atinge a
sociedade».
«Não se alcança nenhum progresso civil com a desvalorização
social do matrimónio e com a perda de respeito pela dignidade
inviolável da vida humana - assegurou o Papa. O que se procura
apresentar como progresso de civilização ou conquista
científica, em muitos casos, é de facto uma derrota para a
dignidade humana e para a sociedade».
«A verdade do homem, seu apelo desde a concepção a ser
acolhido com amor e no amor, não pode sacrificar-se ao domínio
das tecnologias e à prevaricação dos desejos sobre os direitos
autênticos. O legítimo desejo de ter um filho ou de ter saúde
não pode transformar-se num direito incondicional capaz de
justificar a eliminação de outras vidas humanas», alertou.
«A ciência e as tecnologias estão verdadeiramente ao serviço
do homem só quando tutelam e promovem todos os sujeitos
humanos envolvidos no processo de procriação», assegurou.
«As associações católicas, juntamente com todos os homens de
boa vontade que crêem nos valores da família e da vida, não
podem ceder às pressões de uma cultura que ameaça os
fundamentos do respeito da vida e da promoção da família»,
exortou.
O Papa qualificou os Foros das Associações Famílias como uma
das «formas de mobilização» necessárias, que ele mesmo já
havia alentado em sua exortação apostólica
«Familiaris
consortio» (22 de Novembro de 1981) «para que as famílias
cresçam na consciência de ser “protagonistas” da “política
familiar” e assumam a responsabilidade de transformar a
sociedade».
Neste trabalho, o Papa deixou como bússola de acção a
«Carta dos Direitos da Família» publicada pelo Conselho
Pontifício da Família a 22 de Outubro de 1983.