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NOTÍCIAS
 
Família, Evangelho Vivo!

Bento XVI, EMF2009, 18/1/2009

Queridos irmãos e irmãs, 

Queridas famílias

1. A todos vós congregados para celebrar o VI Encontro Mundial das Famílias sob o maternal olhar de Nossa Senhora de Guadalupe, «desejo a graça e a paz de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo» (2 Ts 1, 2).

Acabam de rezar o Santo Rosário, contemplando os mistérios gozosos do Filho de Deus feito homem, que nasceu na família de Maria e José e cresceu em Nazaré dentro da intimidade doméstica, entre as ocupações diárias, a oração e as relações com os vizinhos. Sua família o acolheu e o protegeu com amor, o iniciou na observância das tradições religiosas e das leis de seu povo, o acompanhou para a maturidade humana e para a missão à qual estava destinado. «E Jesus – disse o Evangelho de São Lucas – crescia em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens» (Lc 2, 52).

Os mistérios gozosos foram-se alternando com o testemunho de algumas famílias cristãs provenientes dos cinco continentes, que são como um eco e um reflexo em nosso tempo da história de Jesus e de sua família. Estes testemunhos nos mostraram como a semente do Evangelho continua germinando e dando fruto nas diversas situações do mundo de hoje.

2. O tema deste VI Encontro Mundial das Famílias – A família, formadora nos valores humanos e cristãos – vem recordar que o ambiente doméstico é uma escola de humanidade e de vida cristã para todos os seus membros, com consequências benéficas para as pessoas, a Igreja e a sociedade. Com efeito, o casal é chamado a viver e cultivar o amor recíproco e a verdade, o respeito e a justiça, a lealdade e a colaboração, o serviço e a disponibilidade para com os demais, especialmente para com os mais frágeis. O lar cristão, que deve «manifestar a todos a presença viva do Salvador no mundo e na natureza autêntica da Igreja» (Gaudium et spes, 48), há-de estar impregnado da presença de Deus, pondo em suas mãos o acontecer quotidiano e pedindo sua ajuda para cumprir adequadamente sua imprescindível missão. 

3. Para isso é de suma importância a oração em família nos momentos mais adequados e significativos, pois, como o Senhor mesmo assegurou: «onde dois ou três estiverem reunidos em Meu nome, Eu estarei no meio deles» (Mt 18, 20). E o Mestre está certamente com a família que escuta e medita a Palavra de Deus, que aprende d'Ele o mais importante na vida (cfr. Lc 10, 41-42) e põe em prática Seus ensinamentos (cf. Lc 11, 28). Deste modo, se transforma e se melhora gradualmente a vida pessoal e familiar, se enriquece o diálogo, se transmite a fé aos filhos, se acrescenta o gosto de estar juntos e o lar se une e consolida mais, como uma casa construída sobre a rocha (cf. Mt 24-25). Não deixem os pastores de ajudar as famílias a que aproveitem frutuosamente a Palavra de Deus na Sagrada Escritura.

4. Com a força que brota da oração, a família se transforma em uma comunidade de discípulos e missionários de Cristo. Nela se acolhe, se transmite e se irradia o Evangelho. Como dizia meu venerado predecessor o Papa Paulo VI: «os pais não só comunicam aos filhos o Evangelho, mas podem por sua vez receber deles este mesmo Evangelho profundamente vivido» (Evangelii nuntiandi, 71). 

A família cristã, vivendo a confiança e a obediência filial a Deus, a fidelidade e o acolhimento generoso dos filhos, o cuidado dos mais fracos e a prontidão para perdoar, se converte num Evangelho vivo, que todos podem ler (cf. 2 Co 3, 2), num sinal de credibilidade talvez mais persuasivo e capaz de interpelar o mundo de hoje. Há de levar também seu testemunho de vida e sua explícita profissão de fé aos diversos âmbitos de seu meio, como a escola e as diversas associações, assim como comprometer-se na formação catequética dos seus filhos e as actividades pastorais da sua comunidade paroquial, especialmente aquelas relacionadas com a preparação para o matrimónio ou dirigidas especificamente à vida familiar.

5. A convivência no lar, ao mostrar que liberdade e solidariedade se complementam, que o bem de cada um há de contar com o bem dos outros, que as exigências da estrita justiça hão de estar abertas à compreensão e ao perdão como caminho do bem comum, é um dom para as pessoas e uma fonte de inspiração para a convivência social. Com efeito, as relações sociais podem tomar como referência os valores constitutivos da autêntica vida familiar para humanizar-se cada dia mais e encaminhar-se para a construção da «civilização do amor».

A família é, também, a célula vital da sociedade, o primeiro e decisivo recurso para seu desenvolvimento, e tantas vezes o último amparo das pessoas às quais as estruturas estabelecidas não chegam para prover satisfatoriamente em suas necessidades.

Por sua função social essencial, a família tem o direito a ser reconhecida na sua própria identidade e a não ser confundida com outras formas de convivência, assim como a poder contar com a devida protecção cultural, jurídica, económica, social, de saúde e, muito particularmente, com um apoio que, tendo em conta o número dos filhos e dos recursos económicos disponíveis, seja suficiente para permitir a liberdade de educação e de eleição da escola.

É necessário, portanto, desenvolver uma cultura e uma política da família, que sejam impulsionadas também de maneira organizada pelas próprias famílias. Por isso as alento a unir-se às associações que promovem a identidade e os direitos da família, segundo uma visão antropológica coerente com o Evangelho, assim como convido tais associações a coordenar-se e a colaborar entre elas para que sua actividade seja mais incisiva.

6. Ao terminar, exorto todos vós a ter uma grande confiança, pois a família está no coração de Deus, Criador e Salvador. Trabalhar pela família é trabalhar pelo futuro digno e luminoso da humanidade e pela edificação do Reino de Deus. Invoquemos unidos humildemente a graça divina, para que nos ajude a colaborar com afinco e alegria na nobre causa da família, chamada a ser evangelizada e evangelizadora, humana e humanizadora.

Nesta bela tarefa, nos acompanha com sua maternal intercessão e com sua protecção celestial a Santíssima Virgem Maria, a quem hoje invoco com o glorioso título de Nossa Senhora de Guadalupe, e em cujas mãos de Mãe coloco as famílias de todo o mundo.

Muito obrigado.

Bento XVI
 

 
 
 

 

 

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