A defesa da família uniu políticos, cientistas e
representantes Cristãos, Muçulmanos e Judeus na Conferência
Internacional de Doha (Qatar), que ontem apresentou as suas
conclusões.
O documento final do encontro, a “Declaração de Doha”,
sublinha que “a família é a célula natural e essencial da
sociedade”, pedindo-se aos governantes que “promulguem e
apliquem políticas que reforcem a estabilidade do casamento”.
O evento, no qual participaram 1.500 convidados - entre
membros de organizações governamentais e não governamentais,
especialistas, académicos e autoridades civis e religiosas -,
foi organizado por Moza Bint Nasser Al-Missned, esposa do emir
de Qatar, fundadora e presidente do Supremo Conselho de Qatar
para os assuntos familiares.
A “Declaração de Doha” frisa a importância de “atender às
normas religiosas e morais que contribuem para a estabilidade
cultural e o progresso social”.
Em representação da Santa Sé marcou presença o Cardeal Alfonso
López Trujillo, Presidente do Conselho Pontifício para a
Família, que proferiu uma conferência sobre “A
complementaridade do homem e da mulher: aproveitar os talentos
de mães e pais”.O Cardeal afirmou que a família é uma
Instituição anterior ao Estado, defendendo que “nenhum governo
tem o direito de mudar a definição de família ou de
matrimónio”.
“Em todas as culturas e religiões há uma verdade presente: a
família está baseada no matrimónio, o único lugar válido e
apropriado para o amor conjugal”, apontou.
«A relação amorosa entre o “tu” e o “eu”,
mediante a procriação, transforma-se em “nós”, uma família»,
sublinhou.
«Os papeis de mãe e pai são complementares e inseparáveis;
pressupõe que se estabeleçam relações interpessoais
específicas entre pais e filhos», indicou.
«A família, é uma sociedade natural, anterior ao Estado, a
qualquer organização política ou instituição jurídica. Por
isso, a originalidade e identidade da família baseada no
matrimónio devem ser reconhecidas pelas autoridades
políticas», indicou.
«Preocupa-nos a desvalorização do papel da maternidade nas
nossas sociedades», e, ao mesmo tempo, pediu que as políticas
familiares tenham mais sensibilidade pelo «papel do pai na
tarefa educacional da família».
«A protecção da família por parte do Estado coincide com os
interesses reais de uns e outros -lembrou. A família é o
primeiro lugar onde se forma a todos os níveis o capital
humano: ou seja, o recurso maravilhoso que supõe uma pessoa
educada com sentido de responsabilidade e, ao mesmo tempo, um
trabalho bem feito».
«A primeira estrutura fundamental a favor da “ecologia humana”
é a família, em cujo seio o homem recebe as primeiras noções
sobre a verdade e o bem», concluiu.
A Conferência de Doha, que comemora o décimo aniversário do
Primeiro Ano Internacional da Família, reflectiu sobre o
parágrafo 3 do artigo 16 da Declaração Universal dos Direitos
Humanos, onde se lê: “a família é o elemento natural e
fundamental da sociedade e tem direito à protecção da
sociedade e do Estado”.
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