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Vivemos tempos difíceis. A família, como célula base da
sociedade, é imediatamente afectada por esta crise
generalizada e que promete perdurar. Neste contexto, exige-se
um novo paradigma, uma nova forma de estar e de nos
relacionarmos. As pressões externas para a eficiência e
produtividade, se positivas, originam por outro lado
desemprego, trabalho precário, mudanças abruptas nos
comportamentos laborais, piores remunerações e menos apoios
sociais. Como consequência, vamos ter mais famílias em grande
dificuldade, mais depressões, mais conflitos conjugais/intergeracionais,
mais divórcios, mais desespero. Vamos ter mais crianças
tristes, mais jovens sem sentido. Para piorar as coisas,
muitos dos casais que trabalham na pastoral da família (e
noutras pastorais) também serão, certamente, atingidos por
esta onda assoladora.
No meio
deste ambiente desfavorável, urge ser profeta da esperança. A
Boa Nova do Evangelho dirige-se especialmente
para os corações perpassados por espinhos. Uma vida de fé
ajudará os casais, as famílias, a superarem as dificuldades. A
oração, a direcção espiritual, o convívio com outros casais, o
auxílio a pessoas ainda com maiores dificuldades, ajudam a
suavizar a dor e a ver com mais optimismo as coisas
e a vida.
As nossas
comunidades, as nossas pastorais têm de contar com este
cenário profundamente desconcertante. Muitas das situações
serão sofridas sem sinais exteriores. Quando elas se extremam
já não se vai a tempo de impedir a ruptura. Há, pois, que
estar atentos, sobretudo aos casais mais novos. Há que acudir
situações dramáticas com a acção sócio-caritativa. Há que
transmitir palavras de esperança, ajudar a sair de becos sem
aparente saída. Os sacerdotes devem disponibilizar-se mais
para a direcção espiritual, ouvindo e aconselhando (e
perdoando), em nome de Deus. É uma tarefa sublime e
insubstituível, que lhes compete sobremaneira e que devem
colocar em primeiríssimo lugar nas suas rotinas.
Um mundo
esgotado pelo sensualismo, pelo consumismo, pelo materialismo,
só se recuperará com gigantescas doses de esperança, radicadas
na Boa Notícia do Evangelho, nas
Bem-aventuranças. E estas doses têm de ser administradas pelas
nossas mãos…
Que este programa de
actividades
diocesano para o ano pastoral 2011/12, e estas palavras,
possam ser galvanizadoras de pastorais familiares vividas com
muita esperança nas nossas comunidades.
Jorge Cotovio
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