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NOTÍCIA
 
Festa das Famílias 2012
A Família: o trabalho e a festa

Encontro das Famílias da Diocese de Coimbra
Soure
, 20/05/2012

À semelhança dos anos transactos, o Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar (SDPF) promoveu a XVIII Festa das Famílias no dia 20 de Maio, em Soure, no encerramento da Semana da Vida, cabendo ao arciprestado local, a sua organização.

 

Subordinado ao tema Família: o trabalho e a festa, o encontro teve o seguinte programa:

 

9h30 – Concentração de autoridades e representantes das diversas

         associações religiosas, civis e culturais junto à Igreja matriz de Soure.

10h00 – Receção oficial ao Bispo diocesano

           Cortejo para o local da Eucaristia.

11h00 – Eucaristia no Pavilhão Gimnodesportivo.

12h30 – Almoço piquenique, no Parque da Várzea

           (perto do Pavilhão e junto ao estacionamento).

14h30 – Tarde de animação com testemunhos.

17h30 – Encerramento.

 

Mais uma vez a Festa foi representativa de toda a diocese, e constituiu um momento significativo de apreço pela instituição familiar e pelo valor da vida, em todas as circunstâncias. Foi neste sentido que o SDPF e a comissão organizadora (composta por representantes de todas as paróquias do arciprestado de Soure) trabalhou desde há meses, para gerar grande mobilização das comunidades paroquiais e da Diocese em geral.

 

 

 

Mensagem do Coordenador do SDPF
 

Vamos celebrar pela 18ª vez consecutiva a Festa das Famílias da diocese de Coimbra, este ano subordinada ao tema “A Família: o trabalho e a festa”.

Tal evento acontece precisamente no encerramento da Semana da Vida, celebrada de 13 a 20 de maio, sob o tema “Comprometer-se com a vida”.

Cruzando estas duas temáticas concordantes, teremos a família num compromisso permanente com a vida, através do trabalho e dos outros tempos “livres”. Mas também teremos a família sempre ao lado da vida humana, procurando fomentá-la e protegê-la, gerando novos seres, na esteira do mandato divino “Crescei e multiplicai-vos!”, e velando pelo seu desenvolvimento harmonioso desde o nascimento até à morte natural.

Mas a família, geradora de vida e garante da sua dignificação, vive do trabalho, da contribuição do pai e da mãe para a construção de uma sociedade humanizada e desenvolvida. Pelo meio, no intervalo do trabalho, residem os momentos de descanso, de convívio salutar entre pais e filhos, entre estes e os familiares, vizinhos  e amigos; residem os momentos de redescoberta da natureza, de conhecimento do meio social e patrimonial que nos cerca; residem as ações de voluntariado, de caridade, de contributo pastoral para o crescimento da Igreja; residem os momentos festivos efusivamente celebrados.

Mas, infelizmente, nos dias de hoje, nem sempre a família oscila pendularmente entre o trabalho e a festa. Há muitas famílias em que o trabalho precário e sem perspetivas condiciona o tempo “de festa”, mitigando-o; há muitas famílias em que a ausência de trabalho desvirtua o tempo livre, tornando-o “inquietante”; há muitas famílias em que o excesso de trabalho abafa o tempo de lazer, anulando-o progressivamente.

Noutros casos, o tempo de lazer e fruição de futilidades é tão valorizado e idolatrado que esmaga o trabalho, desfigurando-o, descaraterizando-o. Terá sido isto o que sucedeu a muita gente num passado recente, contribuindo para a atual crise societária.

Peçamos a este Deus que nos dê a todos – governantes, empresários, gestores, trabalhadores -  a “sabedoria” para encontrar o equilíbrio entre o trabalho e os tempos de lazer, de forma a que a família seja uma autêntica “comunidade de vida e de amor” ao serviço da sociedade e da Igreja.

E que esta Festa das Famílias, a realizar em Soure, no dia 20 de maio, contribua para cada um de nós, como membros de uma família, nos realizarmos como pessoas “em relação”, neste baloiçar constante e saudável  entre o esforço e o descanso, entre a agitação e a serenidade, entre o trabalho e a festa…

Jorge Cotovio
Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar

 

 

«É urgente uma nova evangelização das famílias», D. Virgílio Antunes

 

 

O bispo de Coimbra afirmou este domingo em Soure que “os esposos perderam frequentemente o sentido cristão da sua união” e que Deus se tornou “ausente das suas vidas”, pelo que “é urgente uma nova evangelização das famílias”.

Na missa da 18.ª Festa das Famílias da diocese, D. Virgílio Antunes disse que falta muitas vezes aos pais a “frescura da fé para que a possam transmitir de forma convincente aos filhos”, o que coloca o “problema da falta de testemunho crente”.

A comunidade cristã, por seu lado, é incapaz de comunicar aos mais novos uma “experiência de vida que somente a família tem capacidade de proporcionar”, sublinhou o bispo na homilia, publicada pelo site diocesano.

A Igreja “tem o dever de proporcionar os meios necessários para o crescimento da fé das famílias cristãs” através da catequese de crianças, jovens e adultos, sustentou o presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios.

D. Virgílio Antunes frisou também a necessidade de incentivar a “oração familiar”, a “celebração da missa dominical” e uma “séria preparação para o matrimónio”.

No dia em que a Igreja assinalou o Dia Mundial das Comunicações Sociais, D. Virgílio Antunes recordou a mensagem de Bento XVI para a ocasião, sobre a importância da palavra e do silêncio na transmissão da fé cristã.

“No tempo do ruído perturbador, próprio da sociedade urbana onde as pessoas fogem de si mesmas, impõe-se o silêncio que conduza ao encontro, à ponderação, às razões de viver”, disse.

É “em casa” que se deve ensaiar o “equilíbrio entre a palavra e o silêncio, que inclui a criação do espaço de reflexão, conselho, exortação” e “liberdade”, salientou o prelado na missa celebrada no pavilhão gimnodesportivo da vila, 180 km a norte de Lisboa.

A família, acrescentou, é também o espaço apropriado para a afirmação dos “critérios para o reto uso dos meios de comunicação social, no adequado discernimento do espaço e do tempo, na seleção do que interessa e do que prejudica a serenidade e a paz”.

O prelado deixou um “abraço para os que estão desunidos, para os que estão doentes ou a sofrer por qualquer motivo” e desejou-lhes “um rápido reencontro, o restabelecimento da saúde e a conquista dos meios necessários para uma vida feliz”.

 

 

TESTEMUNHO DE UM JOVEM

Foi com muita lata e irresponsabilidade, que estão subjacentes à condição de jovem que sou, que aceitei o convite do meu Caro Pe. José Cunha. Digo e repito, muita lata e irresponsabilidade… Não por não saber falar, mas porque entendo que dar um testemunho impõe uma responsabilidade muito maior que a minha pessoa, muito maior que o ser humano que aqui apresento.

Segundo o tema principal desta grande festa, nos últimos dias reflecti no que para mim significava a palavra Família... Vista de fora é simplesmente um conjunto articulado de letras, que resulta numa harmoniosa melodia verbalizada, que pouco altera de língua para língua… Mas a verdade é que só quem está dentro, só quem vive em Família é que sente o arrepiar de todas as notas musicais que dela fazem parte e de todo o compasso majestoso que nos é familiar desde a altura em que parasitamente habitamos a barriga da nossa mãe. Durante o meu percurso Universitário ensinaram-me que Família provém do latim “familus”, ou seja “servidor”, sentido que evolui de acordo com culturas, tradição, contexto político, social e económico. Apesar de não discordar completamente, entendo que se torna redutor que ver a família desta forma. Para mim a Família não existe se não amar em Família, de um modo cego e incondicional, quais apaixonados… Família não existe se não sentir uma força invisível que nos puxa para ao pé daqueles que nos recebem com os braços abertos e com os olhos a sorrir, lavados com lágrimas que nos acende uma lareira especial que mora no sítio do coração… Família não existe se tudo for fácil, porque se o é, é porque não vivemos, é porque sobrevivemos num limbo de felicidade, numa zona em que o não e o sim se fundem num “nim” sem forma e sem sentido… Se hoje estou aqui a falar é porque dois seres humanos, em toda a sua plenitude, deixaram que um pedacinho deles me desse vida… Se hoje estou aqui é porque esses dois seres humanos arriscaram que as suas vidas estivessem, mal ou bem, irremediavelmente ligadas a mim… Se hoje estou aqui com um nó na garganta, é porque, além de ter um pai e uma mãe, tenho toda uma família que me acolhe, que me permite aprender, me incentiva a caminhar, me abre horizontes e me torna todos os dias um pouco mais de humano… Se hoje estou aqui é porque com orgulho não fui aprisionado pela minha família sanguínea, mas sim fui levado por ela a observar outras e a fazer parte de outras, onde deixei, deixo e espero continuar a deixar um pouco de mim… Viver em família é isto mesmo: é cirurgicamente dissecar partes do nosso coração e distribuir, porque nós só somos quando não nos pertencemos.

Durante a minha pequena caminhada de vida, estes 23 anos, tive uma oportunidade de sonho que foi realizar um mês de experiência missionária com o Grupo Missionário João Paulo II, grupo este que é da nossa diocese, para a nossa diocese e para o Mundo. Encabeçado pelo Pe. Luís Miranda, num grupo composto por outros Jovens dos quais me orgulho, descobri um Brasil pobremente rico. Utilizo esta contradição de propósito, porque, se apesar de não terem dinheiro, meios ou facilidades tecnológicas como dispomos, têm um sentido de cristianismo e de família que envergonha o Continente Antigo que é a Europa. Nunca me hei-de esquecer que no primeiro dia que lá cheguei pensava que tinha de pedir aos meus pais que desembolsassem uma pequena fortuna para que eu voltasse antes do tempo, mas, estranhamente, no último dia, apesar de estar cheio de saudades da minha família querida portuguesa, a vontade de ficar era absurda. Já me sentia de lá… Com família de lá… É incómoda a maneira como me sinto cada vez que vejo fotos de lá, com aqueles pequenos que tanto ensinaram a este um pouco maior… Nunca me hei-de esquecer, do pequeno e grande Ademir e da sua Família… Eram cinco filhos, os três mais velhos eram filhos de outro homem, que infelizmente, tinha falecido já fazia alguns anos… Era arrepiante como estes três mais velhos eram tratados, respeitados e amados por um pai que biologicamente não era o deles, mas que tudo fazia para colmatar os buracos que uma pistola chamada de morte lhes tinha feito no coração… Era arrepiante ouvi-los tratar este homem por Pai… Não pela palavra, mas pelo verdadeiro e sincero sentido que aqueles pequenos grandes seres humanos davam a ela. Nunca me esquecerei que mesmo após períodos de grande sofrimento, abandono inevitável e de pobreza extrema, eles eram uma Família, Família esta que me envergonhava por ser tão afortunado.

Face a tudo isto, gostaria de citar Miguel Esteves Cardoso, o qual expressa uma visão deliciosa sobre este tema. Diz o escritor: "Para uma família ser feliz, é necessário haver sedução. Os filhos têm de ser charmosos para encantar os pais, os pais têm de se esforçar para educarem convincentemente os filhos. E marido e mulher, caso queiram permanecer juntos, têm de passar a vida inteira a engatar-se. O mal da família é a facilidade. É pensar que aquele amor já é assunto arrumado." É giro como nunca tinha pensado como este senhor, mas é mais engraçado que ele próprio tenha tanta razão. Nunca senti que a vida na minha família fossem favas contadas… Não me lembro de uma semana em que não haja um amuo ou discussão… Não me lembro de uma semana em que todos estivéssemos felizes e contentes… Mas se isso não aconteceu, é porque eles, a minha Família, mais que a felicidade momentânea do fogo-de-artifício, são o céu que me beija todos os dias e me faz sentir amado, mesmo que haja nuvens a chover no meu coração.

É com este meu envergonhado e verde testemunho que vos abandono… É com o relembrar que a vida, valor máximo que prezo e defendo desde a sua concepção até à sua morte com dignidade, que vos deixo… Peço-vos que amem e deixem ser amados… Que vivam com e em Família… Que festejem quando um pequeno nasce, mas que não se esqueçam do velhinho que está no hospital ou no lar, aquele velhinho que agora incapaz de usar todas as suas capacidades físicas, outrora nos cobriu com o seu casaco, ficando ele ao frio e à chuva… Peço-vos que não criem regras para a construção de uma família, deixem as pistas… Assim a vida é mais divertida e desafiante…

Obrigado…

 

João

 

   
 

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