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ARTIGO
 
Madre Teresa de Calcutá fala sobre o aborto

Washington - DC, 03/02/1994


Eu sinto que hoje o aborto é o grande destruidor da paz porque é uma guerra contra a criança, uma matança directa de crianças inocentes, destruídas pelas próprias mães.

E se nós aceitarmos que uma mãe pode matar o seu próprio filho como é que poderemos dizer às outras pessoas para não se matarem?

Como é que nós persuadimos uma mulher a não abortar? Como sempre, devemos persuadi-la com amor e devemos lembrar-nos que amar significa estar disposto a doar-se ainda que nos custe. Jesus deu a Sua vida por amor de cada um de nós. Por isso, a mãe que pensa em abortar deve ser ajudada a amar, ou seja, a doar-se ainda que isso interfira com os seus planos ou com o seu tempo livre, para respeitar a vida de seu filho. O pai desta criança, quem quer que ele seja, deve também doar-se ainda que lhe custe.

Através do aborto a mãe não aprende a amar, mas mata seu próprio filho pensando que assim resolve os seus problemas.

E, através do aborto, diz-se ao pai que ele não precisa de assumir nenhuma responsabilidade pela criança que gerou. Este pai provavelmente vai colocar outras mulheres na mesma situação. Logo, o aborto apenas gera mais aborto.

Qualquer país que aceite o aborto não está a ensinar o seu povo a amar, mas a usar de qualquer violência para conseguir o que se quer. Por isso o maior destruidor do amor e da paz é o aborto.

Muitas pessoas estão muito preocupadas com as crianças da Índia e com as crianças da África porque muitas delas morrem de fome ou de outras causas. Muitas pessoas também estão preocupadas com toda a violência nos Estados Unidos. Estas preocupações são muito boas. Mas, frequentemente, estas mesmas pessoas não se preocupam com os milhões de crianças que estão sendo mortas pela decisão deliberada das suas próprias mães. E isto é que é o maior destruidor da paz hoje: o aborto que coloca as pessoas em tal cegueira.

E por causa disto eu apelo na Índia e apelo em todo lugar: "Vamos salvar a criança." A criança é o dom de Deus para a família. Cada criança é criada à imagem e semelhança de Deus para grandes coisas: para amar e ser amada. Neste ano da família nós devemos trazer a criança de volta ao centro do nosso cuidado e da nossa preocupação. Esta é a única maneira pela qual o nosso mundo pode sobreviver porque as nossas crianças são a única esperança do futuro. Quando as pessoas mais velhas são chamadas para Deus somente os seus filhos podem tomar os seus lugares.

Mas o que nos diz Deus? Ele diz: "Mesmo se a mãe se esquecer de seu filho, Eu jamais te esquecerei. Eu gravei o teu nome na palma da Minha mão." (Is 49). Nós estamos gravados na palma da mão de Deus. Aquela criança que ainda não nasceu está gravada na mão de Deus desde a concepção e é chamada por Deus a amar e a ser amada, não somente nesta vida, mas para sempre. Deus jamais se esquece de nós.

Eu vou-vos contar uma coisa bonita. Nós estamos lutando contra o aborto através da adopção - tomando conta da mãe e adoptando o seu bébé. Nós temos salvo milhares de vidas. Nós mandamos a mensagem para as clínicas, para os hospitais e para as esquadras policiais: "Por favor não destrua a criança, nós ficaremos com ela."

Nós sempre temos alguém para dizer às mães em dificuldade: "Venha, nós tomaremos conta de você, nós conseguiremos um lar para seu filho". E nós temos uma enorme procura de casais que não podem ter um filho; mas eu nunca dou uma criança a um casal que tenha feito algo para não ter um filho. Jesus disse, "Aquele que recebe uma criança em meu nome, é a Mim que recebe." Ao adoptar uma criança estes casais recebem Jesus mas, ao abortar uma criança, um casal se recusa a receber Jesus.

Por favor não mate a criança. Eu quero a criança. Por favor dê-me a criança. Eu estou disposta a aceitar qualquer criança que estiver para ser abortada e dar esta criança a um casal que a irá amar e será amado por ela.

Só no nosso lar de crianças em Calcutá, nós salvámos mais de 3000 crianças do aborto. Estas crianças trazem muito amor e alegria aos seus pais adoptivos e crescem tão cheias de amor e de alegria.

Eu sei que os casais têm que planear a sua família e para isto existe o planeamento familiar natural.

A forma de planear a família é o planeamento familiar natural, não a contracepção.

Ao destruir o poder de dar a vida, através da contracepção, o marido ou a esposa está a agir pensando em si mesmo. Cada um procura a atenção para si mesmo e assim destrói o dom do amor. Ao amar, o marido e a mulher devem voltar a atenção um para o outro como acontece no planeamento familiar natural, e não cada um para si mesmo como acontece na contracepção. Uma vez que o amor vivo é destruído pela contracepção, esta facilmente resulta em aborto.

Eu sei também que existem enormes problemas no mundo - que muitos esposos não se amam o suficiente para praticar o planeamento familiar natural. Nós não temos condições de resolver todos os problemas do mundo, mas não vamos trazer o pior problema de todos que é a destruição do amor. E isto é o que acontece quando dizemos às pessoas para praticarem a contracepção e o aborto.

Os pobres são grandes pessoas. Eles podem ensinar-nos tantas coisas belas. Uma vez uma mulher muito pobre veio agradecer-nos por lhe termos ensinado o planeamento familiar natural e disse: "Vocês que praticam a castidade, são as melhores pessoas para nos ensinar o planeamento familiar natural porque este nada mais é do que uma forma de autodomínio por amor ao outro." E o que esta mulher pobre disse é a pura verdade. Estas pessoas pobres talvez não tenham nada para comer, talvez não tenham uma casa para morar, mas eles são óptimas pessoas porque são espiritualmente muito ricas.

Quando eu tiro uma pessoa faminta da rua, dou-lhe um prato de arroz e um pedaço de pão. Mas uma pessoa que é excluída, que não se sente desejada mas mal amada, aterrorizada, a pessoa que foi colocada fora da sociedade vive uma pobreza espiritual muito mais difícil de vencer. E o aborto, que com frequência resulta da contracepção, torna uma pessoa espiritualmente pobre e esta é a pior pobreza e a mais difícil de vencer.

Nós não somos assistentes sociais. Nós podemos estar fazendo trabalho de assistência social aos olhos de algumas pessoas, mas nós devemos ser contemplativas no coração do mundo. Pois estamos tocando no corpo de Cristo e estamos sempre na Sua presença.

Você também deve trazer esta presença de Deus para a sua família, pois a família que reza unida permanece unida.

Existe tanto ódio, tanta miséria, e nós com nossas orações, com nosso sacrifício, estamos começando em casa. O amor começa em casa e não se trata do quanto nós fazemos, mas de quanto amor colocamos naquilo que fazemos.

Vamos insistir para que cada criança não seja indesejada, mal amada, mal cuidada ou morta e jogada fora. É preciso doar-se com um sorriso mesmo que doa.

Como eu falo muito sobre doar-se com um sorriso nos lábios, uma vez um professor dos Estados Unidos me perguntou: "Você é casada?" E eu disse: "Sim, e algumas vezes eu acho difícil sorrir para meu esposo, Jesus, porque Ele pode ser por vezes muito exigente." Isto é mesmo algo verdadeiro.

E é aí que entra o amor: quando alguém exige de nós e ainda assim podemos dar com alegria.

Se nos lembrarmos que Deus nos ama e que nós podemos amar os outros como Ele nos ama, então daqui deve sair para o mundo um sinal de cuidado para com o mais fraco dos fracos - a criança que vai nascer.

Deus vos abençoe!

 

 

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