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«Algumas referências desta Encíclica foram muito importantes ao procurarmos a construção da vida em casal»

Graça e Bernardo Mira Delgado

Casámos faz agora exactamente 40 anos.

Recordamos que esta encíclica provocou naquela época uma enorme celeuma e algum afrontamento com as chamadas alas progressistas dentro da Igreja, que esperavam que este documento viesse ratificar a utilização livre das denominadas, e então recentes, pílulas anticoncepcionais, e que, ao invés, veio proclamar os métodos naturais como os que traduzem o plano de Deus para o casal, na construção do seu amor e da sua vida de família.

Olhando de novo para este documento tão marcante na vida dos casais cristãos, constatamos, a par de uma linguagem hoje já fora de época, uma antevisão de novas realidades sociais que todos conhecemos do nosso quotidiano:

- O desenvolvimento demográfico

- Novas condições de trabalho e habitação

- Novas exigências económicas e de educação

- O novo lugar da mulher na sociedade

- A valorização do amor conjugal e a importância da relação física para alimentar o amor.

A "Humanae Vitae" defende uma visão integral do Homem que transcende e integra as suas dimensões biológica, psicológica, demográfica ou sociológica, e o entende na sua vocação natural e terrena mas também sobrenatural e eterna. Considera, pois, que deverá ser nesta perspectiva entendido o conceito de "paternidade consciente e responsável" expresso pelo Concílio Vaticano II na Constituição Pastoral "Gaudium et Spes".

Consideramos que algumas referências desta Encíclica foram para nós muito importantes ao procurarmos a construção da nossa vida cristã em casal: "que o matrimónio foi instituído por Deus para realizar na humanidade o seu desígnio de amor", que este amor proposto para a vida do casal deve ser "total, fiel, exclusivo e fecundo" - e ser fecundo, dar fruto, não se restringe ao plano da fecundidade física - apontando como aspectos fundamentais e inseparáveis do acto de amor o plano unitivo e o plano de abertura à vida.

Isto significa, para nós, que esta Encíclica veio atribuir à vida conjugal um valor e um cuidado que não estavam antes tão claramente explicitados.

De facto, é preciso entender este documento como um conjunto de princípios que valorizam a relação do casal, sem o que é fácil cair na falta do respeito mútuo e do sentido das verdadeiras características do amor. O prazer e a liberdade, presentes na criação do Homem, são valores fundamentais e queridos por Deus para a realização da pessoa humana, mas não são em si mesmo valores absolutos, antes orientados para a construção do bem e da relação com o outro, numa vida em sociedade.

É curioso notar que uma das advertências lançadas por Paulo VI neste documento era o perigo das autoridades imporem métodos de redução da natalidade. Veja-se o que tem sido ao longo dos anos a prática generalizada dos Centros de Saúde e a situação demográfica em que nos encontramos.

A "Humanae Vitae" lançou ainda um conjunto de desafios:

- Aos governantes para que a solução do problema demográfico seja uma correcta política familiar;

- Aos médicos e homens da ciência para avançarem no conhecimento da fisiologia;

- Aos Bispos, com os sacerdotes, que trabalhem com afinco e sem tréguas na salvaguarda e na santificação do matrimónio, considerando esta como uma das suas responsabilidades mais urgentes e envolvendo uma acção pastoral coordenada em todos os campos da actividade humana, económica, cultural e social.

- Aos esposos cristãos para que sejam capazes de responder no amor e na verdadeira liberdade aos desígnios de Deus.

- A uma nova forma de apostolado de família a família, de casal a casal, no sentido do apoio e entreajuda a uma vivência do amor conjugal como caminho de felicidade e santidade.

Todos reconhecemos o avanço que se verificou, particularmente em alguns destes domínios.

Os métodos denominados naturais, correctamente utilizados, são hoje rigorosos e eficazes.

Mas os desafios mantêm-se actuais e a cada um de nós compete contribuir com alguma resposta, na sua vida, no seu meio, a estes apelos, começando pela reflexão quanto à forma como entendemos este mistério de um amor apesar de tudo finito, que deseja projectar-se numa dimensão infinita que só encontra em Deus.

Talvez continue a ser, para todos os casais, este o maior desafio.

Para nós, 40 anos depois, o desafio mantém-se.

 

 

 

 

 

 

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