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Humanae vitae: sinal de contradição

ZENIT, Novembro de 2004

«Sinal de contradição»: assim define Giovanni Maria Vian, director do «L’Osservatore Romano», a encíclica Humanae Vitae, assinada por Paulo VI em 25 de Julho de 1968.

O texto, recorda, «rejeitava a contracepção com métodos artificiais» e ia «contra o hedonismo e as políticas de planeamento familiar, geralmente impostas aos países mais pobres pelos países mais ricos».

Logo que foi publicada a encíclica suscitou «uma oposição sem precedentes dentro da própria Igreja católica».

O cardeal Joseph afirmava em 1995 que «raramente um texto da história recente do Magistério se converteu tanto em sinal de contradição como esta encíclica, que Paulo VI escreveu a partir de uma decisão profundamente sentida».

Apesar de tudo, o Papa não mudou a sua postura. Em 23 de Junho de 1978 reafirmou ao colégio cardinalício, «após as confirmações da ciência mais séria», as decisões tomadas em 1968 que buscavam afirmar o princípio do respeito às leis da natureza e o «de uma paternidade consciente e eticamente responsabilizada».

No discurso que fez na solenidade de Pedro e Paulo, fazendo uma espécie de balanço de seu pontificado, o Papa Giovanni Battista Montini «citou as encíclicas Populorum Progressio Humanae Vitae como expressões daquela defesa da vida humana que definiu como elemento imprescindível no serviço à verdade da fé».

Humanae Vitae, recorda Vian, «é coerente com as importantes novidades conciliares sobre o conceito do matrimónio», mas, sobretudo, foi uma profecia para os tempos actuais.

Frente às «inquietantes evoluções da engenharia genética», se demonstra «lúcida e antecipadora quando declara que ‘se não se quer expor ao arbítrio dos homens a missão de gerar a vida, devem-se reconhecer necessariamente limites intransponíveis no domínio do homem sobre o próprio corpo e as suas funções; limites que a nenhum homem, seja ele simples cidadão privado, ou investido de autoridade, é lícito ultrapassar’».

Apesar dos muitos ataques de que foi alvo elevaram-se também vozes em favor do que o Papa escreveu.

No «L’Osservatore Romano» (OR) de 6 de setembro de 1968, Jean Guitton definiu a encíclica ferme mais non fermée (firme, mas não fechada), pois mostra que o «caminho estreito» do Evangelho é «o caminho aberto ao futuro».

O cardeal jesuíta Jean Daniélou, por sua vez, sublinhava que o documento «nos fez sentir o carácter sagrado do amor humano», expressando uma «revolta contra a tecnocracia».

O director do OR define a Humanae Vitae como um «autêntico sinal de contradição», sublinhando que «não é lembrada com gosto» «por seu ensinamento exigente contra a corrente» e porque «não é útil ao jogo corrente que põe os papas um contra o outro, método talvez útil do ponto de vista historiográfico para delinear óbvias diferenças, mas que tem que ser rejeitado quando é usado instrumentalmente, como acontece continuamente em todo o panorama da mídia».

Os que apoiaram Paulo VI foram o cardeal Karol Wojtyla, «arcebispo de Cracóvia que teve um papel importante na comissão ampliada e que depois inovou muito com seu magistério pontifício sobre o corpo e a sexualidade», e Joseph Ratzinger, «outro purpurado criado por ele».

Este aspecto, conclui Vian, mostra «a vital continuidade da proposta cristã também sobre o problema do controle de natalidade», que em 23 de Junho de 1968 o Papa definia como «extremamente grave» porque «toca os sentimentos e os interesses mais próximos à experiência do homem e da mulher».


 

 

 

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